“Sou mulher, mãe, esposa; não preciso dos teus caminhos estrangeiros.”
— Okot p’Bitek, Song of Lawino.
Quando alguém tenta nos convencer a abandonar quem somos, a voz interior costuma sussurrar dúvidas, como se o mundo exigisse um “eu” novo, mais “moderno” ou “aceitável”. Essa frase de Lawino nos lembra que nossa essência – nossas raízes, nossos valores, nossos laços – não é mercadoria para troca. É como se cada pessoa fosse uma árvore profunda, cujas raízes puxam força do solo que a viu nascer. Se hoje você sente que precisa se moldar a padrões que não reconhece, pergunte: o que estou deixando de ser para caber num molde que não me pertence? A resposta pode ser desconfortável, mas é o primeiro passo para libertar a autenticidade que já vive dentro de você. Ao reconhecer que não precisa “caminhos estrangeiros” para validar sua existência, você abre espaço para cultivar o que realmente faz sentido: relações que respeitam sua história, projetos que ecoam sua paixão e escolhas que honram seu coração. Transforme a pressão externa em um convite para se redescobrir, não em um convite para se perder. Permita‑se, então, ser a versão mais fiel de si mesmo, celebrando cada detalhe que te diferencia. A mudança começa quando deixamos de correr atrás de aprovação alheia e passamos a viver a vida que já está escrita em nosso próprio idioma.
Sobre o autor
Okot p’Bitek (1931‑2002) foi um poeta, crítico e etnólogo ugandês, conhecido principalmente por Song of Lawino, poema épico que celebra a cultura Luo e critica a imposição dos valores ocidentais. Seu trabalho mistura tradição oral africana com formas literárias modernas, tornando‑o um dos maiores representantes da literatura africana pós‑colonial. A obra de Okot influenciou gerações ao reafirmar a dignidade das identidades locais frente à globalização.
Deixe um comentário