“Quem não tem memória, não tem futuro.”
— Antoni Morell i Mora, L’home que volia ser el vent.
Imagine que a sua mente é um pequeno lago nas montanhas de Andorra. Cada lembrança é uma pedra que você lança na água, criando ondas que se espalham para todas as direções. Quando evitamos olhar para o passado – seja por medo, vergonha ou simplesmente por comodismo – deixamos o lago vazio, sem aquelas pedras que dão sentido ao movimento da superfície. Sem memória, a vida perde o eixo que nos guia. Hoje, ao acordar, pergunte a si mesmo: Que histórias eu tenho deixado de revisitar? Talvez seja aquela conversa que você guardou no canto do peito, ou o erro que ainda parece ecoar como um trovão distante. Encarar essas lembranças não é reviver a dor, mas reconhecer que elas são pedaços essenciais da sua própria constelação. Quando aceitamos o que já foi, libertamos espaço para novas experiências, como se o lago recebesse mais luz e, assim, refletisse o céu de forma ainda mais brilhante. Ao transformar a memória em aliada, você constrói pontes entre quem você foi e quem deseja ser. Cada lembrança revisitada traz uma lição, um detalhe que pode mudar a rota da sua jornada. Permita que o passado ilumine o presente, sem que o prenda. Assim, o futuro deixa de ser um território desconhecido e passa a ser um caminho desenhado com as cores da sua própria história.
Sobre o autor
Antoni Morell i Mora (1936‑2022) foi um diplomata, ensaísta e escritor andorrano, reconhecido por sua voz única na literatura catalã. Atuou como embaixador da Andorra em vários países e, ao mesmo tempo, cultivou a escrita de contos, novelas e crônicas que exploram a identidade cultural dos pequenos principados. Sua obra combina sensibilidade humana com reflexões sobre memória, tempo e pertencimento, tornando‑o uma referência para quem busca entender o valor das raízes em um mundo em constante mudança.
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