In the Castle of My Skin

“Nasci na vila de Saint James, na paróquia de Saint Michael, em Barbados.”

— George Lamming, In the Castle of My Skin.

Quando lemos aquela frase simples, quase como um registro de passagem de batismo, sentimos o peso de um ponto de partida que, embora específico, ecoa em cada um de nós. É como se, ao dizer “nasci…”, Lamming nos lembrasse que todo ser humano tem um ponto de origem — um lugar, uma cultura, uma história que molda a primeira camada da nossa identidade. Mas a vida não fica parada naquele ponto de partida. Ela nos leva a cruzar mares, a mudar de bairro, a trocar de profissão, a reinventar sonhos. É nesse movimento que a citação ganha vida: ela nos convida a reconhecer onde começamos e, ao mesmo tempo, a questionar onde queremos chegar. Imagine que sua própria “vila” seja um pequeno canto da sua memória: a casa onde você aprendeu a amar, as ruas onde enfrentou medos, as vozes que lhe ensinaram a falar. Essas lembranças podem parecer estáticas, mas são a fundação de um castelo interior que você pode reconstruir a cada escolha. Quando se sente perdido, volte àquela frase e pergunte: “Que parte de mim ainda carrego da minha primeira casa?” A resposta pode revelar talentos ocultos, valores que ainda não foram explorados ou até medos que precisam ser libertados. A beleza da jornada está em perceber que, embora o ponto de partida seja fixo, o caminho é infinitamente maleável. A cada passo, você tem a chance de transformar o “nasci em” em “sou capaz de ser”. Então, ao olhar para o futuro, leve consigo a certeza de que a sua história tem raízes firmes, mas seus ramos podem alcançar horizontes que ainda nem imaginou.

Sobre o autor

George Lamming (1927-2022) foi escritor e ensaísta barbadense, considerado um dos maiores narradores do Caribe pós-colonial. Seu romance de estreia, In the Castle of My Skin (1953), trouxe à luz a vida nas comunidades rurais de Barbados, explorando identidade, memória e resistência cultural. Lamming também escreveu ensaios críticos sobre a literatura caribenha, influenciando gerações de autores que buscam dar voz às experiências insulares. Seu estilo combina sensibilidade poética com um olhar sociológico aguçado, tornando-o referência essencial para quem deseja entender a complexidade do mundo caribenho.


Publicado

em

por

Tags:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *