O Colonizador e o Colonizado

“O homem colonizado vive em uma dupla consciência.”

— Albert Memmi, O Colonizador e o Colonizado.

Imagine que sua mente seja um espelho quebrado, refletindo duas imagens ao mesmo tempo. Essa “dupla consciência” que Memmi descreve não é só sobre história ou política; ela aparece nos momentos em que você se sente dividido entre o que realmente sente e o que o mundo espera que você seja. Talvez você esteja tentando agradar a família, o chefe, a sociedade, enquanto seu coração sussurra outro caminho. Ao reconhecer essa fissura interna, surge a chance de reconstruir o espelho: escolher qual reflexo vale mais. Cada decisão de ser autêntico – mesmo que pequena, como dizer “não” quando tudo parece exigir um “sim” – é um ato de libertação. Como quem junta os cacos, você cria uma nova imagem, mais completa, mais verdadeira. Permita‑se sentir o desconforto da incerteza, mas não se deixe paralisar. Use a consciência de que viver duas vezes pode ser um convite para escolher qual vida você quer realmente habitar. Quando você alinha pensamentos e sentimentos, o peso da divisão se dissolve, e surge a leveza de quem caminha com coerência. Seja o autor da sua própria narrativa, não o personagem de um roteiro escrito por outros.

Sobre o autor

Albert Memmi (1920‑2020) nasceu em Tunis, então parte do protetorado francês da Tunísia. Escritor e sociólogo, destacou‑se por analisar as relações de poder entre colonizadores e colonizados, sobretudo em O Colonizador e o Colonizado (1957). Sua obra combina rigor intelectual com sensibilidade pessoal, refletindo a experiência de quem viveu a transição de colônia a nação independente. Memmi também escreveu romances e contos, sempre explorando identidade, alienação e resistência, tornando‑se referência crucial nos estudos pós‑coloniais.


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