L’Aventure ambiguë

“Nasci em Saint‑Louis, na margem do deserto, à beira do rio Senegal.”

— Cheikh Hamidou Kane, L’Aventure ambiguë.

Imagine a sua própria história como aquele ponto de partida descrito por Kane: um lugar de fronteira, onde o deserto encontra o rio. Essas margens duplas são como os limites que você sente entre o que você é e o que ainda pode ser. Quando nos vemos presos entre duas realidades – o passado que nos moldou e o futuro que ainda não conhecemos – surge a sensação de estar à deriva. Mas, assim como o rio Senegal flui incessantemente, a vida também nos convida a seguir adiante, carregando as memórias do deserto sem deixar que elas nos sequem. Permita‑se reconhecer as “areias” que já atravessou: medos, dúvidas, cicatrizes. Elas são parte do seu mapa interno, mas não o destino final. Ao aceitar a água que corre dentro de você, você transforma a incerteza em movimento, e cada passo deixa um rastro de coragem. Hoje, escolha olhar para dentro como quem observa o horizonte onde o deserto encontra o rio – um encontro de contrastes que, juntos, criam a beleza da sua própria aventura.

Sobre o autor

Cheikh Hamidou Kane (1928‑2019) foi um escritor senegalês, professor e intelectual que se destacou com seu romance de estreia L’Aventure ambiguë (1961). A obra, marco da literatura africana francófona, explora o choque entre tradição africana e educação ocidental. Kane dedicou‑se à reflexão sobre identidade cultural e à valorização das raízes africanas, tornando‑se referência para gerações que buscam conciliar passado e futuro.


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